Safa Brian é, sem dúvida, um dos mais famosos ex-mensageiros em bicicleta da atualidade. Acompanha-o no seu regresso à Cidade do México, o local onde tencionava só passar umas férias e acabou por viver durante seis anos, onde começou a praticar ciclismo de estrada pela primeira vez e fundou a sua primeira empresa, um serviço de entregas em bicicleta. Juntamente com uma amiga, Safa aventura-se numa volta de bicicleta em ritmo acelerado na sua SCOTT Foil RC, que o leva num percurso de ida e volta desde as ruas movimentadas da cidade até ao topo de um vulcão.
Nunca tive a intenção de viver na Cidade do México, mas umas férias depressa se transformaram num período de seis anos na megalópole. Foi uma cidade de estreias para mim. Era a primeira vez que vivia num sítio onde o inglês não era a língua principal. Foi aí que criei a minha primeira empresa, um serviço de entregas em bicicleta. E também comecei a andar de bicicleta de estrada pela primeira vez. Depois de ter passado toda a minha vida adulta a andar às voltas em centros urbanos por todo o mundo, comecei a sentir falta de ar puro e da ausência de carros. Para encontrar uma combinação destas duas coisas na Cidade do México, é preciso subir.
A cidade situa-se a 2300 metros acima do nível do mar, no topo de um antigo leito lacustre rodeado de montanhas e vulcões, e quando se começa a subir para sair deste caldeirão, há um novo mundo que espera por nós. Depois de passar anos a subir a mais de 3000 metros de altitude numa bicicleta de pista, com uma mudança e sem travões, finalmente arranjei uma bicicleta de estrada e comecei a explorar mais além e mais depressa do que nunca.
Os meus fins de semana passaram das festas para as planícies, o meu equipamento de ciclismo passou dos calções de banho e t-shirts para a licra completa. Há tanto para ver e descobrir, tanto ruído e poluição para deixar para trás, que fiquei viciado nas bicicletas de estrada.
Tive o prazer de partilhar esta viagem com a minha grande amiga Ana Puga. A Ana é designer industrial, natural da Cidade do México e uma excelente ciclista. Organizei muitas corridas e eventos de ciclismo clandestinos e a Ana apareceu sempre para competir, acabando na maioria das vezes no pódio, e também me dava uma ajuda na organização.
Participou também em provas em todo o mundo e continua a fazê-lo atualmente. O percurso que escolhi é um circuito clássico que começa no sul da cidade e volta a entrar na cidade a oeste.
A principal subida é a de Ajusco. Um gigante de 30 quilómetros que é um dos favoritos dos ciclistas locais. Lembro-me de treinar e correr aqui frequentemente. Na maior parte das vezes, sobe-se e desce-se pelo mesmo caminho, mas nos dias mais importantes passa-se pelo cume. A estrada sobe até aos 3600 metros e depois começa a descer, deixando para trás a Cidade do México e entrando no Estado do México.
As estradas aqui deixam-nos perceber que já não estamos na cidade, estão cheias de buracos, centenas de cães vadios vagueiam pelo campo e os carros são raros.
Seguimos a descida acidentada até Xalatlaco, uma cidade rural e a maior paragem ao longo do caminho. Há sempre boa comida no México, onde quer que se pare, mas uma das preferidas dos visitantes da cidade é La Marquesa, a próxima paragem do nosso circuito. Depois de comermos as últimas quesadillas para nos abastecermos para a última subida do dia, dirigimo-nos para casa.
O regresso à Cidade do México implica, na maioria das vezes, uma grande descida onde, à medida que se vai descendo, o tráfego vai aumentando. Hoje não foi diferente. Percorremos a autoestrada, atravessamos a portagem e passamos por entre carros e autocarros a grande velocidade… é só mais um dia na CDMX. Já não vivo no México, mas poder voltar e experimentar o caos e a beleza, desfrutar dos meus antigos locais de treino e passar tempo com os amigos foi fantástico.
E fazer tudo isto numa Foil Ultimate foi a cereja no topo do bolo. Nunca pensei que iria voar pelo trânsito da Cidade do México numa bicicleta de corrida de topo.